Monday, November 24, 2008

Há uma poesia que me descreve deveras rs
Entretanto ja pensei se nao descreveria minha geração, até saber que sou deslocado a qual poderia pertencer, enfim, singularmente essa poesia me trata bem.

Mensagem à Poesia

Vinicius de Moraes


Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

Secretamente o suspiro calado de tuas entranhas gemem, mais que um culto feminino, mais que a lua ao dispor do seu céu para o seu sol. Esse sentido que traz consigo todo pavor das certezas, destas tamanhas inquietudes de passados desejos, são essas as engrenagens que giram seu olhar quando passo.

Secretamente os pune, me pune, puno eu, de em angustia te ver crescer, chorar, cantar, tropeçar, catar a florzinha no chão, chorar o choro da dor. Dor esta meu amor, que nunca farei ser seu anterior sucessor, do amor, que nunca tive, nem da dor que nunca sou.

Tens outra dor, outro sol e outro amor. Eu tenho o outono, a lua, e seu espelho nela, reluzente, danças pra mim no céu como a única bailarina, cercada de estrelas alem mar, faz pra mim o véu mais belo, que desce em sereno sobre todo o meu ser, toda ela, sempre ela, a me cobrir com seu frescor noturno, de um sereno sem brisa, um frio amante em um quase dos quases delirantes.

Wednesday, September 03, 2008

E tudo que se foi.


Na beira de um rio, dormindo ele estava...Garoto de pouca fala, mas de gentil coração.

Tinha acabado de sentir a tarde no seu peito, mas forçava uma aurora para não chegar a escuridão. Quando tudo se abateu, ele olhou as águas e fechou os olhos...


''Conte-me o que ocorreu rapaz''. Ouvia uma voz moribunda que seria sua própria a fazer companhia.

''Eu senti algo por uma garota por vários e vários anos, até que passei por momentos tão felizes que quase chegaram onde o sentimento dela estava, quando por um momento consegui ver este sentimento, cheguei ate onde ele estava sentei e conversei com ele, e ele me perguntou: ''valeu a pena? Perguntei, como assim?

''valeu a pena tanta saudade, tanta vontade, pra você chegar aqui em cima, do mesmo jeito'' e eu disse: Sim, pois você é parte dela, e olhe pra você, tu és um dos mais belos que criei por aqui. O rapaz olhava em sua volta e via lembranças.Até mesmo o seu billy, com letra minúscula mesmo pois se tratava de seu mascote.O sentimento apenas sorriu, logo depois havia nascido outro, muito mais belo que ele, foi quando a conheceu.

O antigo sentimento olhou pra ele e disse, ‘’olha, acho que meu tempo por aqui terminou’’

Esboçou um meio sorriso de saudade.

Esse foi o conto do garoto que depois se levantou e foi criar seu novo sentimento, foi ele o mais belo e nunca morreu. Entretanto nunca conseguiu conhecê-lo, pois nunca o alcançou. Teria conhecido o amor eterno.

Sunday, August 31, 2008

Sepultas um amor...

A bela mostra a face diante do fatídico dia.Caminha pela praça fria, muito fria daquele inverno.A ventania a deixa mais ávida por calor.Olha as luzes das seis da tarde, aquela hora que o céu resolve se alaranjar.Passa o seu pequeno pé por plantinhas que nascem nas frestas do chão. Coça seus curvados ombros em um ato de carência.Aquela foi a vez que eu tive a certeza de uma sinfonia oculta.A soberana menina, sepultas um amor.Caso antes a tivesse tido, seria um pequeno gesto de egoísmo.Mas a tenho. Talvez em um aceno de luz lá pelos prismas das cores dela, uma pode ser minha. Ela conduziu o dia, o ano, e até hoje maestra meus desejos.

Um paralelo com outras vidas, não nos diz que estávamos unidos pelo destino comum? Sábios aprendizes de amores, muitos, loucos. Perdido em infinitas discórdias com minha razão. O que será que há? Não sei. Turvo silêncio límpido de um sim. Medos, contratos, começos o que será que somos capazes para negar a felicidade? A felicidade atordoa, inebria, é vontade de você, de nos. O sujo do pecado, a mão é o laço do desespero que atordoa nossos corpos suados, imaginados antes da aurora. Quero-te.

Sunday, August 24, 2008

Andava pela rua ouvindo as canções dos belos encontros de sábado, sorria para eles.
Meu passo não tem acompanhamento, meu compasso de tempo é só. Admiro os belos rostos, as belas vozes, e me lembro que um dia fui admirado.Quando estamos sós, ficamos acompanhados pelos desejos e invejas, mas raramente assumimos tais pretensões, elas são para mortais, nós somos Deuses.

No outono dos olhares, caem para os lados dos seus pares, trocando olhares agudos, e eu fico inverno, frio a tudo, frio as que foram, e as que poderiam vir, as Deusas me feriram, não sacrifiquei o suficiente pois nunca me aceitei ser um Deus. Talvez por medo da grandeza ou do desastre da queda, para ser um Deus, precisa-se de desejo, eu não desejava isso. Apenas desejei amar.

Foi quando soube que o amor não tem escrúpulo ou moral, éticas ou religiões, o amor é atemporal, surreal, um desejo absoluto sem parâmetros ou medidas, o amor É. O Amor é um Deus, e eu queria ser o Amor, foi quando descobri minha humanidade, o silencio calou, a ilusão caiu, nunca poderei ser o amor. Sou cúmplice de falhas e imperfeições que somente a esperança de um olhar sincero amará os defeitos.

Um dia parei de amar.
Sou mais que o amor, pois sou subjectivo, e não absoluto. E neste dia, tive a certeza que virei um Deus, de um sentimento novo que não sei nomear, mas sou único, sou, atemporal, e me tornei absoluto, vi em você , tudo que procurei em mim. Por isso te amo assim, em toda plenitude de um recomeço sem fim.

Friday, August 22, 2008

O eterno desejo

Lembro que certa vez eu caminhei por uma viela estreita e percebi traços meio que apagados de um eu te amo na parede. Isso me levou a criar imediatamente um casal. Estavam lá todos os atributos do casal arquétipo de minha utopia generalizada de companhia. Toques, amores, afagos, angustias, choros etc.A liberdade que me via criar o casal era instigante, tanto que percebi que já não fazia parte da relação, eu era o outro que ela não desejava, percebi que os atributos para o suposto ‘’ele’’ era tão elevados que pra mim são inalcançáveis, neste momento tive ciúmes de minha criação. Um ciúme de mim mesmo. Vi neste momento que tamanho são nossos fantasmas, criações de nós mesmos. Vislumbrei o deleite dos dois e sentei em um banco, de cabeça baixa olhei pra frente, e vi um casal, quase parecido com o que imaginei, mas me separei de minha criação, pois já não conseguia conviver com tal paixão ameaçadora. Esqueci.

Thursday, July 03, 2008

3 pensamentos em uma madrugada.

Sento na represa e observo a grandeza que é conter a água, aquele material que se adapta a qualquer contorno, de um visco transparente. Invejo a represa, não pela sua força, mas sim pela pequenez diante das águas. Nós somos assim, nos achamos tão austeros e grandes, mas no fundo somos pequenos ao outro.

Lembro daqueles chocolates de fim de noite, da ultima sobremesa da geladeira, só não lembro de ti, que estava querendo esquecer justamente na hora de consumir estas guloseimas.

O vil nos corrompe o amor. O amor nos corrompe pelo rancor. A solidão não nos corrompe. Mas sem ela, não teria ódio nem rancor. Apenas dor, do ausente-presente de um não rancor, não ódio, e não amor. A renuncia de toda uma vida é tão grande, que não caberia em sua imaginação, pois sozinho estamos nós, todos nós. E o todo, não podemos ser (imaginar).Pois se fossemos o todo, seriamos o criador então criaríamos mais alguns como nós para sofrer a dor, chorar o rancor e idealizar o amor.

Eles e o diretor.

‘’Mas o que é isso!?’’

Assustado pensava o diretor da rua, aquele mendigo sentado logo na esquerda observando um casal sair no tapa.

‘’O que é isso?’’ O mendigo pensava.

Ele não tinha explicação para agressões. Tantas vezes agredido não sabia com o explicar aquilo.

Mal sabia ele, que o próprio casal na fúria de um contra-paz não sabia o que estavam fazendo, eles estavam apenas em uma DR (discutindo relação) que na maioria das vezes isso é um MDR (Monólogo que se discute a relação), pois nunca há sintonia no casal.

O mendigo exclamava por vergonha.

O casal aos berros por amor.

E a cidade barulhenta continuava com o toque da percussão de tantos outros berros e vergonhas por ali.