Sunday, August 31, 2008

Sepultas um amor...

A bela mostra a face diante do fatídico dia.Caminha pela praça fria, muito fria daquele inverno.A ventania a deixa mais ávida por calor.Olha as luzes das seis da tarde, aquela hora que o céu resolve se alaranjar.Passa o seu pequeno pé por plantinhas que nascem nas frestas do chão. Coça seus curvados ombros em um ato de carência.Aquela foi a vez que eu tive a certeza de uma sinfonia oculta.A soberana menina, sepultas um amor.Caso antes a tivesse tido, seria um pequeno gesto de egoísmo.Mas a tenho. Talvez em um aceno de luz lá pelos prismas das cores dela, uma pode ser minha. Ela conduziu o dia, o ano, e até hoje maestra meus desejos.

Um paralelo com outras vidas, não nos diz que estávamos unidos pelo destino comum? Sábios aprendizes de amores, muitos, loucos. Perdido em infinitas discórdias com minha razão. O que será que há? Não sei. Turvo silêncio límpido de um sim. Medos, contratos, começos o que será que somos capazes para negar a felicidade? A felicidade atordoa, inebria, é vontade de você, de nos. O sujo do pecado, a mão é o laço do desespero que atordoa nossos corpos suados, imaginados antes da aurora. Quero-te.

Sunday, August 24, 2008

Andava pela rua ouvindo as canções dos belos encontros de sábado, sorria para eles.
Meu passo não tem acompanhamento, meu compasso de tempo é só. Admiro os belos rostos, as belas vozes, e me lembro que um dia fui admirado.Quando estamos sós, ficamos acompanhados pelos desejos e invejas, mas raramente assumimos tais pretensões, elas são para mortais, nós somos Deuses.

No outono dos olhares, caem para os lados dos seus pares, trocando olhares agudos, e eu fico inverno, frio a tudo, frio as que foram, e as que poderiam vir, as Deusas me feriram, não sacrifiquei o suficiente pois nunca me aceitei ser um Deus. Talvez por medo da grandeza ou do desastre da queda, para ser um Deus, precisa-se de desejo, eu não desejava isso. Apenas desejei amar.

Foi quando soube que o amor não tem escrúpulo ou moral, éticas ou religiões, o amor é atemporal, surreal, um desejo absoluto sem parâmetros ou medidas, o amor É. O Amor é um Deus, e eu queria ser o Amor, foi quando descobri minha humanidade, o silencio calou, a ilusão caiu, nunca poderei ser o amor. Sou cúmplice de falhas e imperfeições que somente a esperança de um olhar sincero amará os defeitos.

Um dia parei de amar.
Sou mais que o amor, pois sou subjectivo, e não absoluto. E neste dia, tive a certeza que virei um Deus, de um sentimento novo que não sei nomear, mas sou único, sou, atemporal, e me tornei absoluto, vi em você , tudo que procurei em mim. Por isso te amo assim, em toda plenitude de um recomeço sem fim.

Friday, August 22, 2008

O eterno desejo

Lembro que certa vez eu caminhei por uma viela estreita e percebi traços meio que apagados de um eu te amo na parede. Isso me levou a criar imediatamente um casal. Estavam lá todos os atributos do casal arquétipo de minha utopia generalizada de companhia. Toques, amores, afagos, angustias, choros etc.A liberdade que me via criar o casal era instigante, tanto que percebi que já não fazia parte da relação, eu era o outro que ela não desejava, percebi que os atributos para o suposto ‘’ele’’ era tão elevados que pra mim são inalcançáveis, neste momento tive ciúmes de minha criação. Um ciúme de mim mesmo. Vi neste momento que tamanho são nossos fantasmas, criações de nós mesmos. Vislumbrei o deleite dos dois e sentei em um banco, de cabeça baixa olhei pra frente, e vi um casal, quase parecido com o que imaginei, mas me separei de minha criação, pois já não conseguia conviver com tal paixão ameaçadora. Esqueci.